Trafaria/Cova do Vapor (PT)

Projeto
Como olhar junto envolve observação, escuta e pesquisa colaborativa em uma biblioteca comunitária da Cova do Vapor, pequeno povoado litorâneo situado no encontro entre o Tejo e o Atlântico português, que teve a sua paisagem reconfigurada ao longo do século passado por conta do avanço do mar. O projeto é apresentado por um livro-objeto, fotografias, peças sonoras e um filme desenvolvido em colaboração estreita com a realizadora, diretora de fotografia e montadora Patricia Black, cujas imagens conduzem as palestras performáticas realizadas com o artista Nico Espinoza, que também assina as composições e o design de som de todo o trabalho.
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A aldeia (da Cova do Vapor) estava a ser empurrada pela água em direção à Mata de São João, forçando os seus habitantes a recuar, 'caminhando com as suas casas às costas' em carroças de bois".
Esta imagem foi determinante para iniciar a investigação sobre a comunidade, os seus agentes, bem como os movimentos de permanência e deslocamento no local, em parte impulsionados pela própria natureza e pelos fenômenos de erosão, em parte resultantes da ocupação sazonal e desordenada do território. É na combinação de pontos de vista, afetivos e críticos, locais e estrangeiros, de crianças a idosos, que o trabalho se desenvolve.
Em julho de 2023 deu-se início à primeira etapa da minha residência na região, em uma das cabanas de madeira que foi transferida da Cova do Vapor para a Trafaria na década de 1950 por conta do avanço do mar.
Relatos e fotografias antigas foram primeiramente mostrados por Eduardo Gomes, responsável pela Biblioteca do Vapor, até então situada à beira mar em um pequeno imóvel doado à associação de moradores, local que um dia foi o Bar da Mimi. Ali realizei grande parte do projeto, em especial com um grupo de habitantes idosos, muitos deles voluntários para o funcionamento da biblioteca, que foi estimulado a identificar casas, memórias, amores, sonhos, paixões, alegrias, desejos e conflitos, em encontros semanais que se transformaram em um espaço seguro e transversal de partilha. Os participantes, frequentadores da praia como veraneantes ainda na década de 1940, hoje são residentes que vivenciaram o início da tímida urbanização e também o significativo avanço do mar a partir da década de 1950 que submergiu quilômetros de areia de praia e a afastou do Farol do Bugio, marco entre o Oceano Atlântico e o Rio Tejo. São essas pessoas, a maioria matriarcas que, por possuírem laços extremamente sólidos com o lugar e a comunidade, reavivam contos, personagens e paisagens, ajudando a fortalecer os vínculos para as gerações atuais e futuras. E são essas pessoas, suas histórias orais e nossos afetos que se misturam à história de constituição da Cova do Vapor e que dão vida a este projeto.
[A Biblioteca do Vapor foi encerrada pela Associação de Moradores da Cova do Vapor e aguarda futuras instalações ainda incertas.]

Project
How to look together involves observation, listening, and collaborative research at a community library in Cova do Vapor, a small coastal village situated where the Tagus River meets the Portuguese Atlantic, whose landscape has been reshaped over the past century by the encroaching sea. The project is presented through a book-object, photographs, sound pieces, and a film developed in close collaboration with filmmaker, cinematographer, and editor Patricia Black, whose images guide the performative talks conducted with artist Nico Espinoza, who also created the compositions and sound design for the entire work.
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The village (of Cova do Vapor) was being pushed by the water towards Mata de São João, forcing its inhabitants to retreat, 'walking with their houses on their backs' in ox carts."
This image was decisive in starting the investigation into the community, its agents, as well as the movements of permanence and displacement in the place, partly driven by nature itself and the phenomena of erosion, partly resulting from the seasonal and disorderly occupation of the territory. It is in the combination of affective and critical points of view, local and foreign, from children to the elderly, that the work develops.
July 2023 saw the start of the first stage of my residency in the region, in one of the wooden huts that was moved from Cova do Vapor to Trafaria in the 1950s due to the advance of the sea.
Old stories and photographs were first shared by Eduardo Gomes, who runs the Biblioteca do Vapor, which until then had been located by the sea in a small building donated to the residents’ association—a place that was once Mimi’s Bar. There I carried out a large part of the project, particularly with a group of elderly residents, many of whom volunteered to help run the library. They were encouraged to identify homes, memories, loves, dreams, passions, joys, desires, and conflicts during weekly meetings that evolved into a safe and inclusive space for sharing. The participants, who frequented the beach as vacationers as far back as the 1940s, are now residents who witnessed the beginning of the tentative urbanization and also the significant encroachment of the sea starting in the 1950s, which submerged kilometers of beach sand and pushed it away from the Bugio Lighthouse, a landmark between the Atlantic Ocean and the Tagus River. It is these people, mostly matriarchs who, because of their extremely strong ties to the place and the community, bring stories, characters, and landscapes back to life, helping to strengthen the bonds for current and future generations. And it is these people, their oral histories, and our affections that blend with the history of Cova do Vapor’s formation and give life to this project.
[The Vapor Library was closed by the Cova do Vapor Residents' Association and is awaiting future premises, which are still uncertain.]















Galeria Nuno Centeno, Porto, 2026
NowHere, Lisboa, 2026
Galeria Mercedes Viegas, Rio de Janeiro, 2025
Ateliê 397, São Paulo, 2025
Átrio Museu Mineiro, Belo Horizonte, 2025
Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, 2025
FotoRio, Centro Cultural da Justiça Federal, Rio de Janeiro, 2025
Casa do Comum, Lisboa, 2025
Cidades Ocultas, Ateliê B12, Lisboa, 2024
Instalação pública, Cova do Vapor, 2024
É bonita a festa, pá!, Bienal Internacional de Cerveira, 2024
(catálogo / catalog)
B175c Baldan, Luiza.
Como olhar junto / Luiza Baldan — São Paulo : Fotô Editorial, 2025.
163 p. ; il. fot. color ; 24 cm.
ISBN 978-85-63824-66-0
Textos em português e inglês.
1. Artes Visuais. 2. Fotografia 3. Paisagens. 4. Memórias I. Título
CDD 770.9281
Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Renata Baralle — CRB-8/10366
Coordenação editorial e edição
Editorial Coordenation and Editing
Ana Carneiro
Elaine Pessoa
Luiza Baldan
Paula Delecave
Produção geral
General Production
Rafael Moretti
Textos
Texts
Luiza Baldan
Cristiana Tejo
Manuela Fidalgo
Maria do Socorro Duarte
Eduardo Gomes
Projeto Gráfico
Graphic Design
Ana Carneiro
Paula Delecave
Tradução e revisão
Translation and Proofreading
Patricia Azevedo da Silva
Documentação fotográfica
Photo Documentation
Francisco Baccaro (p. 138-141)
Arquivo fotográfico
Photographic Archive
Andrea Paz
Biblioteca do Vapor
Lucia Maria Garcia
Luiza Baldan
Maria do Socorro Duarte
Tratamento de imagem
Image Processing
Claudio Melo
Luiza Baldan
Impressão e acabamento
Printing and Binding
Guide
Retratados
Portrayed
Belmira Lacerda de Albuquerque
Celeste Matos
Eduardo Gomes
Ester Mendes
Filipa Faria
Firmo Marcos Escariz
Isabel Almeida
José Júlio
José Manuel de Oliveira
Lucia Maria Garcia
Luis Miguel Paulo Brandão
Manuela Fidalgo
Maria do Socorro Duarte
Mario Castro
Natália Augusta Alcaso
Sandra Garcia
Sandra Oliveira
Vitor Manuel Valente
Zé da Mata
Agradecimentos
Acknowledgements
Alice Baldan Fetter
Alice F. Martins
Benvinda de Jesus
Bienal de Cerveira
Carolina Costa
Carolina Peixoto
Comunidade NowHere Lisboa
e artistas que participaram
do processo / NowHere Lisbon
community and artists who
took part in the process
Dolores Papa
Emilia de Sá
Juliana Abrantes
Lidiane de Carvalho
Maria João Duarte
Rodrigo Delgado
Sofia Costa Pinto
Teresa Paula Montes
1ª Edição 500 exemplares /
Tiragem especial assinada, numerada, inclui duas fotografias inéditas impressas em papel fine art e bolsa artesanal: 50 exemplares
1st Edition 500 copies /
Special signed and numbered edition, including two unpublished photographs printed on fine art paper and a handmade bag: 50 copies
Distribuição do livro
Book distribution
BR Fotô Editorial
PT Snob Livraria e Editora
IRE The Library Project
